Diz a lenda, que há tempos existiu uma mulher que tinha em seu corpo um demônio. Certa vez, um feiticeiro lhe disse que para se livrar do tal demônio ela teria que sacrificar seu próprio filho, Bartôlomeu.
A mulher enlouquecida com a situação e sem saber mais o que fazer, aceitou a proposta do feiticeiro jurando que a alma do filho sacrificado retornaria no corpo de outra criança que ela viria a ter.
No dia marcado, a mulher pegou seu filho e, juntos, foram até o local combinado com o feiticeiro para o sacrifício. Ao chegar lá o feiticeiro dopou a criança para que a mesma não pudesse sentir nada e assim aliviar seu sofrimento que estava apenas começando.
O ritual de sacrifício começou, e a mãe não tinha percebido que o sacrifício que o filho teria que fazer não era um sacrifício de morte e sim um sacrifício de corpo e só quando Bartôlomeu abriu os olhos e a mãe avistou aqueles olhos vermelhos que pareciam duas grandes pedras de rubis foi que ela entendeu o que havia acontecido.
Desesperada e imaginando todo o sofrimento do filho – sofrimento que ela mesma tinha passado – não pensou duas vezes e com a mesma faca o feiticeiro tinha usado para tirar o demônio do seu corpo ela se matou.
O tempo passou, Bartôlomeu cresceu e a medida que o tempo passava o demônio ia se aquietando dentro de seu corpo e só voltava a se agitar quando alguém irritava Bartôlomeu, e acreditem, as consequências dessa agitação eram exageradamente destruidoras.
Quando Bartôlomeu morreu, o feiticeiro que, após a morte da mãe, fugiu para um lugar distante, se afogando em seu próprio remorso e insignificância, sentiu que era esse o momento de se desculpar.
O feiticeiro sabia que o espírito do mal estava pronto para possuir outro inocente, e receioso de que a história se repetisse, resolveu lançar um feitiço no corpo de Bartôlomeu para impedir que o espírito do mal saísse daquele corpo sem vida. Arrancou os olhos de Bartolômeu e os transformou em dois grandes rubis, e profetizou que enquanto os rubis estivem na caveira de Bartolômeu o mal ficaria aprisionado.
Ainda dizem que o homem que vencer a ganância e a ambição ficando com a caveira sem tirar os valiosos rubis do seu lugar, ganhará uma vida de sorte eterna, e nunca conhecerá a morte.
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