Eu tava lá na minha tipow, BEM FELIZ, lá sentado de gaiato na areia, sentindo o balançar das ondas, quando percebo um pequeno brilho na água, o reflexo do sol, imaginei eu, mas depois de alguns segundos o brilho parecia estar ficando cada vez maior como se tivesse se aproximando da beira da praia, levantei-me e fui até a ponta do mar e percebi que aquilo que refletia não era o sol, e sim uma garrafa de vinho transparente tampada com uma rolha, sem mais demoras agarrei a garrafa.
Voltei para o meu local e tirei o papel que que encontrava enrolado dentro da garrafa de vinho, por que será que isso não me deixa surpreso? perguntei-me. Desenrolei o papel e começei a leitura que no começo eu acreditava ser um pouco tediosa…
“Não sei exatamente há quanto tempo estou aqui, nem sei que dia é, nem que horas são, tudo o que me restou foi um bloquinho de papel seco pelo calor do sol e esta caneta, que por incrível que pareça ainda escreve perfeitamente. Foi tudo muito rápido, desmaiei e quando acordei estava aqui, isolado do mundo, sem saber o que aconteceu, só com alguns entulhos e uma maleta trancada a chave.
Têm alguns dias que eu estou isolado nesta ilha, já sofri frio, calor, picadas dos mais variados tipos de insetos, chuvas, tempestades, raios e trovões, sozinhos, sem ninguém pra conversar além da minha própria conciência, no começo isso me incomodava, mas aí eu descobri que existem coisas piores do que a solidão, coisas piores como querer e não ter, querer e não poder… vez ou outra eu avistava uma gaivota voando alto no céu e me enchia de esperança ao imaginar que poderia está perto de algum porto, ou de algo parecido, mas hoje eu percebo que a gaivota que vejo, é sempre a mesma, e ela está tão perdida quanto eu, sem saber para onde ir, voando em círculos.
Desde que cheguei aqui já senti muitos medos, muitas angústias, mas hoje o meu maior medo é de que a tinta dessa caneta acabe ou que esse bloquinho de papel seja comido pela maresia e para evitar desesperos maiores eu paro por aqui, além do mais já é noite e meus ossos doem a cada vento mais forte de bate, amanhã nasce um novo sol, gargalhando da minha desgraça.
Fiquei feliz em ver aquele ponto final naquela carta sem destinatário, vi que haviam mais folhas para serem lidas, mas parei por alguns minutos e perguntei-me:
será que vale a pena? enrolei novamente as folhas coloquei-as de volta na garrafa, procurei um novo papel em branco, peguei a caneta e rabisquei:
“por favor, já cansei de me jogar onde eu já caí, não me devolvas esta garrafas nunca mais.”
Fui o mais longe que pude rumo ao oceano e arremessei novamente a garrafa ao mar como das outras 27 vezes que ela tinha voltado.
Parabéns mães do mundo!
chamando a edite em: domingo, 10 de maio de 2009 às 09:40 am
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